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A vida e a morte em tempos modernos

Marlene de Cássia Trivellato-Ferreira

Em tempos em que a sociedade mundial mensura o número de mortes diárias pelo Covid-19, nos aproximamos do fenômeno morte. Um fato inerente à vida é a morte. Normalmente, compreendemos que na presença de uma, a outra inexiste. Mas se olharmos bem, poderemos ver a presença de ambas em nosso cotidiano. E logo você dirá: Claro, mas que óbvio. Sim, quando nos limitamos a olhar a morte como a perda do corpo físico.

Contudo, se observarmos bem iremos perceber que a vida e a morte coabitam no mesmo ser humano, mesmo esse ainda desfrutando de um corpo físico, quando definimos o ser humano pela sua capacidade intelectual e moral, que o diferencia dos demais seres vivos.

Facilmente percebemos pessoas que, distraídas de sua existência, buscam se identificar a um grupo ou mesmo pertencer a ele, sem se perguntarem: “É isso mesmo que eu quero? Combina com o que penso?”. Talvez em decorrência de tantas distrações, alguns pularam o primeiro passo, responsável por nos conhecermos para formar e reconhecer sua identidade.

Em meio aos índices de desemprego, que crescem durante a pandemia, também aumentam os apelos por ajuda. Entidades sociais e grupos de pessoas conclamam as pessoas para “a corrente do bem”, com o objetivo de atender aos mais desprovidos de condições de sobrevivência. Ao mesmo tempo, sabemos que as compras on-line de bolsas, sapatos e roupas continuam a crescer.

Na busca pelo pertencimento a uma comunidade atuante na sociedade, muitos adquiriam o hábito de seguir “ídolos” fabricados pelas mídias, os(as) influencers digitais, que ditam comportamentos e tendências de viver. Em meio a pandemia, nos deparamos com esse nova figura pública, que mobiliza a todos pelo movimento “fica em casa” mas, inadvertidamente (ou mesmo paradoxalmente), promove uma festa particular aos amigos. Talvez, a vida não seja o antagonismo da morte, mas, sim, do nascimento. Em tempos nunca vividos, somos instigados a novas formas de viver. E para viver é preciso nascer para o novo, refletindo sobre costumes antigos, adquiridos e não pensados. O desafio maior desse momento é que ele não sustenta o comportamento distraído, e solicita a tomada de consciência que somos seres pensantes e cocriadores. O reconhecimento de nossas capacidades, enquanto humanos, fará com que fiquemos atentos aos fatos mais simples da existência humana: o ato do amor.

Para vivermos e não morrermos, enquanto ainda em corpo físico, é preciso amar. Amar a si mesmo, na busca pelo autoconhecimento, pode ser o início de um novo viver, que o momento dessa pandemia nos pede. Contudo, o ato de amor não pode ser visto como um ato de loucura egóica. Antes, deve ser como uma mãe que cuida de seu bebê, sabendo usar a dose certa de limites e amor, para que ele se desenvolva como um ser autônomo e ético.


*Deseja saber mais sobre o IPCCIC e os Seis Passos para a Cidade Humana? Acesse o nosso site: https://www.ipccic.com/. Conheça o livro "Os Seis Passos para a Cidade Humana" lançado pelo grupo em 2019: https://www.estacaoletras.com.br/product-page/os-seis-passos-para-uma-cidade-humana.

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