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Cooperação na área da saúde: o exemplo de Ribeirão Preto

Entrevista por Helena de Oliveira Rosa.


Incentivar uma economia cocriadora, pautada no diagnóstico das potencialidades e desafios de cada município é o quinto passo defendido pelo IPCCIC para a construção de uma Cidade Humana. A proposta congrega os referenciais da Economia Criativa, Colaborativa, Circular e de Circuito Curto para discutir como as cidades podem construir projetos próprios de fortalecimento da economia local.

Com a crise provocada pela pandemia do Convid-19, muito se tem falado sobre propostas econômicas mais colaborativas, sendo que uma delas se encontra em Ribeirão Preto, em específico na área de aparelhos médicos e odontológicos. O APL (Arranjo Produtivo Local)

da Saúde é uma associação de empresas dos segmentos de aparelhos médico-hospitalares e odontológicos, saúde animal, fármacos e biotecnologia e cosméticos. Formalizado em 2014, o APL tem potencial para congregar cerca de 200 empresas da região de Ribeirão Preto e que empregam mais de 5 mil pessoas. Baseado na ideia de articulação de estratégias conjuntas para o setor, a associação tem na sua entidade administrativa órgãos como Fipase, Ciesp e Sebrae, ressaltando a importância do diálogo entre os setores empresarial e público para a implantação de políticas públicas.

A seguir, o presidente da APL da Saúde em Ribeirão Preto, Izaquel Martins Rosa, discute em entrevista a importância da colaboração e da troca de informações no momento em que vivemos.


Quais foram os maiores desafios de criar um Arranjo Produtivo Local (APL) da Saúde?

O maior desafio foi tentar unir os empresários. A maioria das empresas da região são de pequeno e médio porte, com donos que vieram do chão de fábrica e abriram os seus próprios negócios. Então, há muita desconfiança, pois eles entendem que ao “unir” esforços, outros podem levar embora o seu conhecimento para outra empresa. E não é isso. O objetivo da APL é fazer com que todos cooperem e, assim, quando chegam momentos de dificuldade, todos possam vencer os desafios, juntos.

O APL surgiu primeiro como um grupo de consórcio para exportação. No exterior, a competição é muito grande, então quando nós nos unimos “aqui dentro” somos mais fortes para competir lá fora. No local, isso é ainda mais evidente. Foi a forma encontrada de juntar as empresas e realizar compras coletivas e outras ações, como a representatividade no setor junto ao estado, fortalecendo a área da saúde médica como um todo.


Quais são os maiores gargalos que as empresas de aparelhos médicos enfrentam?

O principal se relaciona com a certificação dos aparelhos. É um processo longo e caro, que a maioria das pequenas empresas não consegue bancar por conta própria. Além disso, há poucas empresas certificadoras no Brasil e falta mão de obra especializada que saiba lidar com esse processo. Por isso, é importante que as pequenas e médias empresas se juntem e busquem apoio frente a essas demandas.


O que você acredita que o APL poderia contribuir com este momento de crise vivido pela pandemia do Convid-19?

Fortalecendo a relação entre os empresários do setor, observando quais são as suas necessidades. É importante, nesse momento, planejar soluções em conjunto. Às vezes, um tem a parte de um produto, enquanto o outro possui o maquinário e a mão de obra. Nessas horas, é importante a troca de informações porque assim saímos mais fortalecidos.


Izaquel finaliza a entrevista comentando que as negociações para a construção da APL da Saúde se iniciaram ainda em 2002, sendo necessário sempre trabalhar a ideia de cooperação entre os empresários do setor. A construção da associação ao longo dos anos foi essencial para que a Fipase ganhasse apoio para construir o Supera Parque Centro de Tecnologia.

O SUPERA Parque é fruto de um convênio entre a USP, a prefeitura de Ribeirão Preto e a Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado de São Paulo. Além de agregar os APL’s da Saúde e Software, o polo também é uma incubadora de empresas, mostrando que é possível estabelecer o diálogo entre poder público, as universidades e a inciativa privada no que concerne à implementação de políticas públicas.

Trata-se de um processo no qual todos ganham. Em 20 de abril de 2020, o SUPERA Parque anunciou que vai iniciar as testagens do vírus COVID-19 em Ribeirão Preto, totalizando cerca de 30 mil testes. Caso os números se confirmem, Ribeirão Preto se tornará uma das cidades que mais realizou testes em todo mundo proporcionalmente à sua população.

Ao final, fica a reflexão de que uma economia cocriadora, ou seja, aquela que coloca o ser humano em primeiro lugar, se faz a partir de uma extensa rede de comunicação. Cooperação e diálogo são as palavras chaves e se fazem cada vez mais necessárias para pensar políticas econômicas que utilizem as potencialidades locais para gerar trabalho e renda.


*Deseja saber mais sobre o IPCCIC e os Seis Passos para a Cidade Humana? Acesse o nosso site: https://www.ipccic.com/. Conheça o livro "Os Seis Passos para a Cidade Humana" lançado pelo grupo em 2019: https://www.estacaoletras.com.br/product-page/os-seis-passos-para-uma-cidade-humana.

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