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Desaprender para aprender: o exercício da reinvenção e o caminho da economia criativa

Ana Laura Pantoni de Oliveira

Não se fala em outra coisa no mundo inteiro. Isolamento social, máscaras, álcool em gel, quarentena... crise. Desde o início de março, quando a Organização Mundial da Saúde declarou a pandemia do novo coronavírus, a grande maioria da população do Planeta Terra se viu forçada a lidar com mudanças bruscas e com o sentimento de impotência e vulnerabilidade.

A verdade é que estamos todos aprendendo a “trocar o pneu com o carro andando” e a sensação de incerteza de não saber o que virá amanhã é, de fato, muito angustiante. Em meio ao bombardeio de informações que recebemos diariamente sobre o Brasil e o mundo, manter-se otimista e ativo tornou-se quase uma tarefa impossível.

Por isso, cuidar de nossa imunidade mental, especialmente em tempos sombrios como os atuais, tornou-se item básico de sobrevivência para enfrentar o dia a dia, seja na rua ou em isolamento domiciliar. Falamos tanto de saúde e esquecemos que a saúde emocional também está sendo muito impactada. Estamos sendo infectados pelo vírus do medo, do pessimismo, da ansiedade, da depressão mesmo quando não testamos positivo para a Covid-19.

O olhar emergencial à saúde precisa ser prioridade para todos (infectados ou não). Aliás, precisamos rever alguns conceitos: O que é saúde pra você? O quão isso é uma prioridade em sua vida? Quanto você tinha noção da importância da saúde até você, ou alguém próximo, ser privado?

Não é a primeira grande crise mundial que enfrentamos, mas o fato é que se sobrevivemos anteriormente, com tão menos recursos, não há dúvidas que em pleno em século XXI, de alguma forma, também iremos conseguir.

Albert Einsten nos relembra: “No meio da dificuldade encontra-se a oportunidade”. O momento em que vivemos pede alternativas para se reinventar e buscar saídas para os problemas, inclusive os financeiros, advindos pelo vírus. Mas a questão é ter a consciência de que não é porque algo não possa ser exatamente da forma que fazíamos antes que não poderá mais ser feito.

A Economia Criativa apresenta-se como uma alternativa para dar continuidade às atividades de maneira diferente, com novos caminhos a serem trilhados ou até mesmo novos ofícios. Ela tem como base de seus projetos e negócios o capital humano, intelectual, cultural e criativo que gera valor econômico. Um novo olhar para a “arte do fazer”. É uma indústria criativa que gera empregos, produz receita e promove o desenvolvimento humano e a diversidade cultural.

Não sabemos com convicção o que será de nós daqui pra frente como sociedade, mas o fato é que já não somos os mesmos. Nossos hábitos de consumo, produção, higiene, lazer e com isso a própria economia já giram em moldes diferentes. A internet, principal instrumento do mundo globalizado, tornou-se algo imprescindível e que tem auxiliado empresários e microempreendedores a darem continuidade, de forma criativa, a seus negócios, buscando alternativas através das redes sociais. Lives, cursos onlines, podcasts e diversos aplicativos para reuniões virtuais são alguns dos exemplos para a estratégia que muitos de nós encontramos de continuar trabalhando, estudando e nos divertindo.

Após o período inicial de adaptações, é provável que muitos dos velhos hábitos arraigados sejam reduzidos ou até mesmo extintos. Por exemplo, uma reunião virtual, feita por aplicativo, além de poupar tempo, poupa o meio ambiente da queima do combustível do automóvel, das aglomerações no trânsito das grandes cidades, e do próprio tempo em se deslocar, estacionar etc.

Quando pensamos em Economia Criativa pensamos em soluções inteligentes visando não apenas o recurso financeiro, mas todo o entorno de produção e consumo envolvido. E as situações de crise, por mais dolorosas que sejam, são excelentes molas propulsoras para estimular a criatividade e abertura para novas ideias, novas soluções e novos caminhos. Precisamos desapegar dos modelos antigos enraizados e nos abrir para a possibilidade da aprendizagem do novo.

É preciso primeiro “desaprender” para aprender depois a trilhar novos caminhos de construção rumo à uma sociedade mais criativa, humana, sustentável e solidária.

O que às vezes pode parecer o fim é só a oportunidade para um novo começo.

Sigamos!


*Deseja saber mais sobre o IPCCIC e os Seis Passos para a Cidade Humana? Acesse o nosso site: https://www.ipccic.com/. Conheça o livro "Os Seis Passos para a Cidade Humana" lançado pelo grupo em 2019: https://www.estacaoletras.com.br/product-page/os-seis-passos-para-uma-cidade-humana.

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7 comentários


niveapaixao_4
08 de mai. de 2020

Muito bom poder reavaliar muitas das minhas escolhas pessoais e da sociedade em que vivo. Estou desaprendendo para aprender a viver neste mundo com mais criatividade e sustentabilidade - que não é um processo fácil, mas possível! Muito bom mesmo!

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karen
04 de mai. de 2020

Excelente reflexão para nosso momento de ressignificação. Parabéns!

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juuh.ats
01 de mai. de 2020

Sensacional! Os processos são contínuos e neste momento estão acontecendo de forma paralela no mundo todo realmente. A colocação do "trocar o pneu com o carro andando" relatou de forma sucinta o estado atual de todos; estamos "dando ao pente funções de não pentear" como diria Manoel de Barros. Texto muito bem escrito.

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particular.m.c
30 de abr. de 2020

Pode parecer um tanto quanto nebuloso visualizar as oportunidades e melhorias que ainda vão surgir pra que vivamos em um mundo com mais consciência e humanidade, mas isso é totalmente possível. Inclusive, excelente texto!

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natalia.lcastro
30 de abr. de 2020

Ótima reflexão sobre o que estamos vivendo.

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