IPCCIC - Instituto Paulista de

Cidades Criativas e Identidades Culturais

 

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IPCCIC organiza propostas em um projeto para o

Centro da Cidade de Ribeirão Preto

Criado em janeiro de 2013, o Instituto Paulista de Cidades Criativas e Identidades Culturais reúne 22 pesquisadores de várias áreas que estudam uma proposta de gestão criativa para Ribeirão Preto. O grupo se apropriou de algumas metodologias de trabalho, em especial a Teoria U, proposta por professores do MIT - Massachusetts Institute of Technology e o Design Thinking, uma ferramenta de apoio ao planejamento a partir da criatividade. Com esta base teórica eles criaram a Rede de Cooperação Cidade Criativa e seguem diagnosticando a realidade de Ribeirão Preto e estudando alternativas de gestão.

            Três instituições de ensino superior apoiam o IPCCIC mantendo professores no grupo de pesquisa subsidiando com pagamentos de hora/aula. A Unaerp e os Centros Universitários Barão de Mauá e Moura Lacerda assinaram acordo de cooperação com o Instituto e acreditam no trabalho de pesquisa como base para o planejamento de qualquer localidade.

            O diagnóstico inicial do grupo apontou a necessidade de se criar meios que proporcione uma transformação no comportamento do morador da cidade. Segundo avaliação dos pesquisadores, o cidadão tende a se comportar simplesmente como usuário e não como co-criador do lugar onde vive. Para eles, as boas iniciativas que não dão certo, estão pautadas nesta realidade. Enquanto seguem pesquisando como promover esta mudança social de comportamento, de maneira simultânea o grupo estuda pontos específicos para a criação de uma proposta de gestão criativa para Ribeirão Preto. Um colegiado pesquisa Bonfim Paulista, outro estuda o centro da cidade, a formação de redes e outros seguem pesquisando sobre Patrimônio Cultural.    

 

Centro da Cidade

 

            O projeto do centro foi priorizado pelo grupo devido suas especificidades: o centro é de toda a cidade; ele apresenta grandes atrativos como patrimônio cultural; está em evidência por causa do projeto de reforma do calçadão e revela a história de Ribeirão Preto em cada uma de suas ruas, por meio de seus moradores e de seus frequentadores.

            A arquiteta Rose Borges que já vinha trabalhando no projeto do Centro entrou para a Rede de Cooperação como pesquisadora do Centro Universitário Barão de Mauá e avança fazendo estudos sobre a urbanização do local. A professora Lilian Rodrigues de Oliveira Rosa, vice presidente do IPCCIC, é uma das responsáveis pelos projetos de Patrimônio Cultural e vem se aprofundando em alternativas para o centro de Ribeirão Preto. Em especial ela estuda a ação de um economista nos Estados Unidos, Donavan Rypkema, que defende a restauração do patrimônio histórico arquitetônico com foco na gestão econômica, com apontamentos de benefícios para a localidade atendida. Do grupo dela fazem parte as historiadoras Nainôra Maria Barbosa de Freitas, Mônica de Oliveira, Sandra Abdala e Michelle Cartolano.  O arquiteto Domingos Guimarães também é pesquisador do IPCCIC e, no momento, atua no projeto de restauração do palacete Jorge Lobato.

            A historiadora Sandra Molina, da Unaerp, a Engenheira Química Maria Paula Freitas Galvão César, da Barão de Mauá e a Economista Rosalinda Chedian, do Inepad, formam o grupo que  estuda a realidade sócio econômica de Ribeirão Preto. A educomunicadora Adriana Silva trabalha na elaboração de propostas que viabilizem a transferência do conhecimento e a criação de redes de cooperação, e trabalha ao lado da professora Adriana Godoy. Luciana Rodrigues, psicóloga e agente cultural, estuda o impacto da participação da sociedade organizada ou não em entidades e grupos. Sua tarefa é conceber propostas de interação dos vários segmentos atendidos pelo Centro da Cidade e conta com a parceira do arquiteto e artista visual, Cordeiro de Sá.

            Com base nestas contribuições, o projeto do centro de Ribeirão Preto é abrangente o suficiente para contemplar muitas situações. Nesta fase do estudo, podemos antecipar algumas características que serão ainda aprofundadas.

 

Base teórica

Fazer o planejamento de uma cidade a partir de um referencial teórico significa tomar decisões sempre com base num mesmo conjunto de conceitos. No caso do IPCCIC, todo o projeto está pautado no homem prioritariamente e, só depois, no lugar.  Para os pesquisadores, são as pessoas que dão significado ao patrimônio. Não se trata de uma retórica. Com foco neste pressuposto é preciso saber ouvir com profundidade, caso contrário a proposta não se consolida.  Os técnicos são importantes, mas ao desejar formar cidadãos co-criadores é preciso garantir a estes o lugar da participação. A arte, neste processo,  é reunir as pessoas em torno de um mesmo objetivo.

Quando há arbitrariedade neste trajeto as coisas não acontecem, como por exemplo, na Praça Sete de Setembro. Ela já foi recuperada várias vezes e segue sem qualquer relação de pertencimento com os moradores próximos e os visitantes mais distantes.

 

Propostas

Para elaboração do projeto do IPCCIC foi realizado um levantamento de iniciativas anteriores. O grupo estudou propostas do concurso de ideias para o centro, promovido em 1991; o projeto de governo intitulado 2001, apresentado pelo ex-prefeito Antonio Palocci, o projeto Vale dos Rios, também apresentado por Palocci, mas no segundo mandato e o projeto Cidade Histórica elaborado pela equipe da Secretaria da Cultura, na primeira gestão da prefeita Dárcy Vera.

           

 

Cooperação

A primeira estratégia é a criação de uma Rede de Cooperação que reúna todos os interessados na revitalização do centro. Este é o modelo que está dando certo em iniciativas como o Porto Maravilha, no Rio de Janeiro; o Porto Madeira, em Buenos Aires; o plano de arborização, em Nova York; o combate `a violência, na Colômbia, entre outros vastamente expostos como casos exitosos. Reunir todos os segmentos: setor público, iniciativa privada, entidades de classe, moradores, frequentadores e trabalhadores não é só uma necessidade, mas sim uma condição para o avanço desejado. O modelo de Rede deve manter-se vinculado ao referencial teórico deste projeto, com base não hierárquica, mas com preceito sistêmico. 

 

 

 

Trânsito

Sob o ponto de vista da arquitetura e do urbanismo o grande desafio é apresentar soluções para o trânsito. A estratégia base é levar mais pessoas para o centro, seja como moradores, trabalhadores ou frequentadores e, na contramão desta proposta, elevar o número de veículo transitando é um conflito. Neste caso, são necessárias várias ações de revisão do modelo atual e apresentação de novas concepções, como a criação de bolsões, a circulação de veículos especiais, estacionamentos em locais estratégicos e a educação para novos hábitos de locomoção.

 

Pedestres

Para equacionar o desejo de aumentar o número de pessoas vivendo e convivendo no centro com a demanda de esvaziamento do trânsito é necessário prever a presença de mais pedestres circulando. Para isso é importante ampliar o conforto proporcionando sombra com o objetivo de baixar a temperatura; calçamento adequado para garantir a passagem; e banheiros, em especial, considerando que a população da cidade apresenta altos índices de envelhecimento, um dos maiores comparado com os índices do Estado e da Região. A iluminação como base de um lugar seguro tem destaque no projeto, pois sem a certeza da segurança não haverá pedestre em áreas menos ocupadas e no período noturno.

No caso da arborização, por exemplo, sem iluminação e sem um projeto de segurança, a iniciativa pode promover efeito indesejado. O que significa afirmar que a proposta aqui apresentada, só se valida se realizada de maneira integral e integrada. Trata-se de uma ação estruturante e não de um projeto de elevação de padrões estéticos ou comerciais. Estas duas últimas características são desejadas como  resultado da apropriação dos habitantes da cidade e não como objetivos iniciais.

Outros projetos no mundo todo podem ser avaliados e alguns cometeram o equívoco social de expulsar o homem da região revitalizada promovendo a gentrificação, efeito absolutamente indesejado. Isso já ocorreu no centro da cidade no auge do processo de higienização, quando o termo sequer havia sido concebido.

 

 

Patrimônio Cultural

 A política de Patrimônio Cultural defendida pelo IPCCIC é abrangente e dialoga com tudo o que já foi explanado anteriormente. A proposta é valorizar a edificação existente e promover usos que qualificam as relações de pertencimento entre os cidadãos e os espaços.  O grupo identificou todo o quadrilátero e criou temas comuns que deverão ser encaminhados de maneira conjunta. A instalação da escola Bahaus, na rua Mariana Junqueira, na altura da Praça VX, por exemplo, uma ação da iniciativa privada,  pode ser avaliada como exitosa. Movimentou de maneira positiva todo o quarteirão, levando as pessoas para o local em horários alternados. Como ela, podemos citar o SESC, o Quarteirão Paulista, mais recentemente com o acréscimo do Centro Cultural Palace, a UGT, na rua José Bonifácio e o Estúdio Kaiser de Cinema. Iniciativas neste formato deverão ser empreendidas para ocupar prédios fechados como o antigo Hotel Brasil, a Casa Camilo de Mattos, o antigo prédio do açougue Oranges, a antiga sede do INSS, a antiga escola Bandeirantes, entre outros.

Nestes casos, o Instituto apresenta uma proposta para cada imóvel e as mesmas serão divulgadas quando oportuno, visto que envolvem muitos responsáveis.

Outra ação planejada é a de promover o interesse de empresários, proprietários de bens de grande dimensão, hoje desocupados, a investirem no centro. Um exemplo é o imóvel que ocupa um quarteirão entre as ruas Lafaiete e Amador Bueno, anteriormente ocupado pela empresa Laguna. O que se deseja é que eles invistam em seus patrimônios, em especial com projetos que fidelizem toda a estratégia.

            A proposta é apresentar o projeto macro para o centro, que está sendo concluído, localizando as iniciativas menores e compartilhando com cada um dos envolvidos que o sucesso de uma depende da integração do outro, e que todos juntos ganham com um centro revitalizado.

            O grande mérito da proposta do IPCCIC não está absolutamente centrado no que será feito com cada um dos imóveis históricos, ou qual a ação que promoverá a baixa da temperatura na região, mas na estratégia do fazer. E essa preocupação se justifica pautada nas muitas iniciativas anteriores em revitalizar o centro. Existem muitas possibilidades, estamos desenhando várias delas ainda nesta fase, mas o grande desafio é promover as articulações certas para a empreitada.  Sem elas, nem as melhores ideias terão solo fértil para germinar.  O grande projeto, na verdade, é a proposta do processo. O IPCCIC apresentará, até agosto, uma ideia para cada demanda, mas elas poderão ser revisitadas assim que os participantes integrarem a Rede de Cooperação.